quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Quase metade da população do Brasil sente-se insegura na cidade onde mora, mostra a Pnad; no Norte, piores índices

Uma em cada cinco pessoas sente-se insegura na própria casa, e pouco mais de 7% da população diz já ter sido vítima de roubo ou furto, mostra a pesquisa

Adriana Caitano
Câmera de vigilância instalada em cruzamento no município de Suzano, interior de São Paulo
Câmera de vigilância instalada em cruzamento no município de Suzano, interior de São Paulo (Claudio Rossi)
Os números explicam a sensação de insegurança dos moradores do Norte: entre os entrevistados que já foram roubados ou agredidos, a região tem os maiores porcentuais
Cerca de 76,9 milhões de pessoas, quase a metade da população brasileira, sentem-se inseguras nas cidades onde vivem. E há motivos de sobra para isso: em um ano, 11,9 milhões de pessoas foram vítimas de roubo no país. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Amostras por Domicílios (Pnad) sobre vitimização e acesso à Justiça no Brasil, divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Durante 12 meses – de setembro de 2008 a outubro de 2009 – os pesquisadores questionaram 400.000 pessoas sobre a sensação de segurança que tinham em suas próprias casas, no bairro e na cidade em que vivem. A região Norte foi a que apresentou o maior porcentual de inseguros nas três opções. Números contidos no próprio levantamento explicam essa sensação de vulnerabilidade dos moradores da região: entre os entrevistados que já foram roubados, furtados ou agredidos fisicamente, o Norte também tem os maiores porcentuais.
A Pnad projetou os dados coletados com parte dos brasileiros para todas as 162,8 milhões de pessoas acima de 10 anos. Como é de se esperar, constatou que a população se sente mais segura em seu ambiente particular e fica mais receosa à medida que se afasta dele. Enquanto 21,4% das pessoas sentem-se inseguras no próprio domicílio, 47,2% têm essa mesma sensação em sua cidade.
Sensação de insegurança dos brasileiros em relação a locais privados e públicos
Quando os números são separados por região, o Norte ultrapassa todas as médias nacionais e desponta como o local onde a insegurança é maior. Se considerados os domicílios, 28,4% dos moradores dizem que não se sentem seguros; 40,2% falam o mesmo sobre seus bairros, e 51,8%, sobre suas cidades. Na outra ponta do ranking está o Sul, com todos os índices abaixo dos nacionais: 18,1% têm sensação de insegurança nos domicílios, 27,4% nos bairros e 39,5% nas cidades.
Na mesma pesquisa, os entrevistados responderam sobre casos em que já foram vítimas de alguns tipos de violência. Uma parcela de 7,3% da população diz já ter sido vítima de roubo ou furto; 1,6% dos brasileiros foram agredidos fisicamente. Também nesses itens o Norte ultrapassa a média do país: 9,9% de seus habitantes afirmam ter sofrido roubo ou furto e 1,9%, agressão física. Aqui, o Sudeste aparece com o menor índice: 6,7% foram roubados ou furtados e 1,4% agredidos (nesse último item, há empate com o Sul).
Casos de roubo, furto e agressão física
Gênero – Quando considerado o sexo dos entrevistados, a Pnad aponta diferenças importantes. Os homens se consideram mais seguros que as mulheres tanto em casa (80,2% contra 77,2%), como no bairro (69,4% contra 65%) e na cidade (55,2% contra 50,5%). No entanto, eles foram mais vitimados por roubo e furto (8,3%) que as mulheres (6,4%) e também mais agredidos – 1,8% dos homens contra 1,3% das mulheres relataram algum caso de agressão.
Renda - Outra peculiaridade do levantamento diz respeito às classes sociais. A população com maior renda se sente mais segura em casa que os de classes inferiores. Do total de pessoas com pelo menos cinco salários mínimos, 82,8% fez essa afirmação, contra 77,8% das que recebem menos de um quarto do salário. No bairro e na cidade, porém, a situação se inverte – 41,4% dos mais ricos sentem-se seguros na cidade e 62,8% no bairro em que moram; entre os mais pobres, a segurança existe para 60,9% e 71,3%, respectivamente.
Questionados sobre as medidas adotadas para aumentar a segurança em suas casas, os brasileiros com maior renda demonstraram utilizar mais dispositivos para esse fim. Quem recebe mais de dois salários mínimos disse adotar a cerca elétrica (35,6%, contra 5,7% de quem tem menos de um quarto do salário mínimo), olho mágico ou interfone (46,8% contra 5,1%) e grade na janela ou porta (48,1% contra 14,7%). 
Judiciário - A Pnad também traz dados sobre o acionamento da Justiça pelos brasileiros. Entre as pessoas com mais de 18 anos, 12,6 milhões - 9,4% do total - já participaram de alguma situação de conflito no Judiciário. Entre elas, as consideradas mais complicadas referiam-se a questões trabalhistas (23,3%), de família (22%) e criminais (12,6%). Os conflitos relacionados ao trabalho foram maiores no Sudeste (24,8%), enquanto o Norte ficou no topo da lista em assuntos familiares (29,9%) e criminais (15,8%).

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